CONHEÇA A HISTÓRIA DE SUA SUÍTE!
Ao chegarmos nesse espaço, pela sua localização privilegiada, pensamos em um sobrado típico, com um ambiente de estar embaixo e o quarto e banheiro no andar superior. Mas, como sempre, essa ideia era muito simples e não se adaptava ao que tínhamos da mata e de material adquirido: o charme de pranchões antigos, dos tijolos enormes, que haviam vindo de uma chaminé de fábrica da região do Brás, das janelas e portas antigas... Foi quando pensamos em um terraço para se aproveitar o final de tarde vendo os pássaros, um espaço para o ofurô interno e com vista para a mata. E essa é uma particularidade dessa suíte: além das janelas e portas antigas, encontramos vidros enormes de demolição que foram reaproveitados usando os batentes de fazenda como suporte. Isso permite que, de qualquer ponto da suíte, inclusive do banheiro, se tenha vista para a mata.
- GUARDA ROUPAS: armário original do início do século XX adquirido em um “família vende tudo”
- BARBEIRINHO: móvel antigo utilizado em barbearias
- RELÓGIO CUCO: peça antiga adquirida em loja de antiguidades no interior de São Paulo
- QUADRO LÍRIOS: quadro pintado em madeira reciclada, do artista Alderico Nascimento
Que tal harmonizar sua experiência com algumas sugestões do chef?
Prato: Robalo crocante
Vegano: Lasanha de batatas
Drink: Tarde refrescante
Sobremesa: Torta de ricota cremosa de búfala
Temos também algumas sugestões para desfrutar o Espaço Terapêutico e sua suíte:
Banho energizante para renovar e aproveitar ao máximo sua estadia

Quando encontramos essa área de 16 alqueires, com macacos, tucanos, jacus, tatus e muitas bromélias, pedras imensas e manacás florindo a montanha, resolvemos comprá-la para preservar da devastação que ameaçava se impor, como ainda continua ameaçando. Mas logo descobrimos que ter uma área de mata preservada, sem ocupação, é um prato cheio para os invasores ilegais que entram para desmatar e caçar. Então, o que fazer?
A solução veio para dar forma às nossas crenças e sonhos: construir um negócio com propósito, uma pousada que materializasse nossa visão de mundo. Daí escrevemos o primeiro manifesto do Ronco, desenhando o que seria nosso empreendimento; não desmatar, não movimentar terra – respeitando a topografia -, trabalhar somente com material de demolição, usar mão de obra e fornecedores locais, buscar incentivar ao máximo a agricultura orgânica para nossa cozinha e tudo o mais que aos poucos fomos implantando aqui, e que você encontra em nosso Manifesto atual e em Nossas Crenças.
Posto tudo no papel, mãos à obra: dois amigos nos ajudaram naquele início, o Fuad e o Duó, o primeiro nas construções e decoração, e o segundo na cozinha, com o cardápio. A busca pelo material durou pelo menos seis meses, e compramos três sedes de fazendas em Minas Gerais; duas quase caindo e uma já no chão. Nossa equipe ia até lá e retirava tudo que pudesse ser reaproveitado, tijolos, pisos, madeiras, janelas, portas, soleiras, piso hidráulico, grades… Em pouco tempo tínhamos uma pilha enorme de madeira na entrada do espaço causando espanto para os moradores que nos perguntavam se íamos construir um grande galinheiro.
Recomendado por uma amiga do Fuad, contratamos um construtor que trouxe uma equipe do Paraná especialista em trabalho com madeira. Para apoiá-los, trouxemos um marceneiro mineiro, o Orestes, e montamos uma marcenaria para trabalhar com aquela quantidade enorme de madeira, portas e janelas de material antigo, um trabalho que requer uma especialização difícil de encontrar hoje em dia.
O Orestes nos deu muitas alegrias e transferiu muito conhecimento ao Paulo, que até hoje cuida das madeiras do Ronco. Todo sábado, ao chegar para ver as obras, tínhamos que parar durante quase uma hora para ouvir do Orestes as histórias sobre as madeiras que ele tinha descoberto durante a semana, seu cheiro e sua origem nos eram pacientemente explicadas, e devagarinho, mineiramente, Orestes nos legava seu amor ao ofício do qual era um mestre.
Aliás, temos uma história marcante do Orestes com a capelinha do casarão da sede! Mas vamos contar por partes….
Como a primeira fase da obra – do casarão principal até a suíte 7 – foi toda com o material de Minas, definimos que o casarão seria como uma sede de fazenda mineira, com o formato de um U, sendo a primeira perna a parte dos fundos, com cozinha, bar, recepção e área de serviço. Como uma casa mineira, essa seria a parte mais pobre e decidimos por usar o material no seu estado quase bruto, sem restauração. Já a outra perna do U seria o restaurante e área de café, ambientes mais nobres, e por isso usamos a técnica de conservar restaurando, com pintura das madeiras e maior acabamento interior.
Então, voltando ao Orestes…na entrada do U, teríamos o pátio com uma capelinha mineira com que o Orestes já sonhava, e decidimos deixar que ele criasse essa construção a partir de sua imaginação e desejo. Durante longos três anos, o Orestes tirava um pedacinho do dia e construía sua capelinha. Hoje, ela é um dos marcos da pousada, uma construção típica do barroco mineiro/português, que é a referência do Orestes, encravada em Piedade. E após três longos anos passamos a chamá-la da Sistina do Orestes.
Bom, faltou dizer que escolher o nome da pousada também não foi simples. A escolha dividiu o grupo. Uma parte queria Pedra do Bugio, pois os macacos sempre estavam numa grande pedra no alto da montanha. Dizia também a tradição oral que esse local já havia sido chamado de Morada das Estrelas pelos antigos. Mas, ao fim, o ecoar da voz dos macacos pelas montanhas ganhou força, e Ronco do Bugio uniu o grupo e assim batizamos o local.
Bom, e as suítes? Se o primeiro platô já desmatado foi onde escolhemos construir a sede, serpenteamos um pouco mais o caminho encosta acima e encontramos uma pequena plantação de milho, e lá surgiu um espaço para algumas suítes. Outras pequenas clareiras já abertas, foram guiando nosso projeto de ter sete primeiras suítes.
Aqui também cabe uma outra história interessante: nossa decisão para a entrada da pousada era seguir sempre por um caminho já existente, mas durante a construção começamos a notar que os pedreiros não usavam essa rota, eles descobriram uma passagem pelo meio da mata, pelas pedras, que os levaram direto ao espaço onde construíamos a sede. Era um caminho lindo, cheio de pedras gigantes e mata nativa, e a primeira reação foi de aproveitá-lo, mas não foi fácil fazê-lo sem desmatar e remover as pedras, e quase desistimos. A solução foi construir, com a engenhosidade do Orestes, uma passarela de madeira, estilo oriental, mantendo toda a vegetação intacta, mesmo com árvores perpassando parte da passarela. Hoje esse caminho dos pedreiros, refinado pelo Orestes, é o que leva à sede da pousada.
E agora que você já pegou esse caminho, do estacionamento até o casarão, e entrou um pouco nesse cantinho de mundo que antes de ser uma pousada foi um sonho, e depois uma visão de mundo, e hoje uma realidade, pedimos apenas que se desconecte do que acontece portão afora, e se deixe levar por esse recanto que um dia descobrimos, que nos acolheu e que resolvemos compartilhar com você! Boa estadia!





